Poesia para despertar Sophia

Poemas inspirados em vivências filosóficas

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Grata, Lúcia Helena.

Obs: conheça também o blog de crônicas de  minha autoria: 
www.observacoesmatinais.blogspot.com


Caros amigos: todos os poemas do meu blog foram incluídos em um livro recentemente lançado, de nome "Instantes de um Tempo Interior". Os interessados podem fazer encomendas através do luciahga@hotmail.com. Enviamos pelos correios...


Querida fresta que abri entre dois mundos,
de pouca largura,
discreta, modesta,
mas fresta...

Amo olhar através de ti
e vislumbrar outras perspectivas...
E só confio quando vejo em ti
e certifico que ainda estou viva.

Seja lá o que for que ainda tenha
ou que perdi,
ninguém me tira o alcance, o poder
de ver de novo através de ti.

Só mesmo em ti é que a dor se ilumina
e  até me ensina e me esclarece..
Só com tua luz, a cicatriz não entristece,
e é tão divina...

Só mesmo em ti, tudo que sou, tudo o que fiz
revela um porte tão mais digno, grandioso,
e o meu sonho, ainda que gere pouca obra,
para a visão da minha alma, alcança e sobra.

Talvez não seja mais que isso o que fica,
quando chegar o próximo ou distante fim:
A fresta que abri para que a alma veja,
que mostra e areja algo de Deus que vejo em mim.


Velo teu sono, e nem é assim tão tarde...

Teu corpo treme e arde contra a cama fria,

estranhos sons a tua boca balbucia,

e se recusa ao repouso e ao abandono.

 

A noite corre e meu amor ainda te vela.

Em meio a ela, eu creio, o escuro te ameaça,

Mas o amor, se é puro, é aço: nada passa,

nada atravessa seu calor e sua cautela.

 

Velo teu sono em altas horas, agitado,

e, sem demora, eu respondo ao teu gemido.

No teu ouvido, sussurrei: “Passou! Descansa!

Minha voz avança contra os vultos, ao teu lado...”

 

É já aurora e ainda velo; teu semblante,

não mais qual antes, mas tranquilo, já ressona,

qual fosse um anjo que, agora, vem à tona,

brincar comigo, tua escolta, docemente.

 

Quisera eu saber que, em todo pesadelo,

o Amor me vela, atento ao meu corpo arfante....

E eu, em paz, sereno infante, em seu alento,

libertaria a alma em sonhos, os mais belos...
 
 



"Procura a satisfação de veres morrer
os teus vícios antes de ti." (Sêneca)

Tendo vivido sob a égide de Atena,
sob esta mesma imagem, hoje, eu repouso.
Sobre esta terra em que o meu corpo pouso,
peço que o sono seja só o suficiente,
nada mais,
para afiar e renovar minha alma ardente,
e renascer na terra entre os meus iguais...
Pois os filhos de Atena,
do poderoso Zeus, da Métis, tão serena,
encontram na ação prudente a sua paz.
Para o descanso, quero ter um só momento,
e pouca sede levo ao rio do esquecimento,
guardo  a missão, que não se perderá jamais.
Para os que amo, a certeza e a segurança:
o amor real é pacto sólido, aliança
que o fio contínuo, vida e morte, só valida.
E aos que eu não conquistei amar ainda,
quando esta forma me abandona e a vida finda,
firmo, em nome da Unidade, um compromisso:
ainda que haja um precipício de egoísmos,
Trabalho, Amor, Vontade sempre vencem abismos...
Hei de tornar à terra e trabalhar por isso.

Detém-te e olha à tua volta, antes, adiante.
Atentamente, olha também dentro de ti.
Há algo raro e especial neste instante,
que já não pode esperar para ser visto.
Há um sinal oculto atrás de tudo isto,
e há que lê-lo antes de seguir em frente.

Há qualquer coisa a colher, talvez a flor
de um jardim distante, antigo e esquecido.
Há um recado a entregar e a receber,
e algo a sarar, algo a polir, alguma dor.
Há uma conta a acertar, um beijo a dar,
um ponto a ver.
E há que examinar as malas e rever
se nada urgente foi deixado para trás.
ou se nada é demais,
se há peso morto a abandonar agora...

Há que escorar, ainda, um galho que está torto
de uma roseira bem ali, perto da casa.
Há uma ave que quebrou a frágil asa
e não consegue mais voar ou se mover.
Há tanto ainda para ouvir e para ver...
Não estás pronta,
não é ainda,
não é agora.

Em algum canto, há alguém que ainda chora,
e sabes que também é teu, o árduo pranto.
E há amor a cultivar e a colher, tanto...
E há mil palavras à tua espera para ser ...
Não é agora.
Não deve ser.

Recolhe em ti todo teu ímpeto e cansaço,
guarda contigo teu assombro e traz teu encanto.
Quando te fores, antes do último passo,
tudo há de estar quitado e pacificado.
Não porque temas ou infernos ou pecados,
mas porque sabes que é este o teu dever.

Sabes que há em ti duas vozes, pelo menos,
e uma ainda deve à outra o grande acerto
antes do qual não há epílogos ou acenos
mas só o imperativo:
Deves Ser.
E, isto sim,
é para agora.


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